Os corvos.

Não sei se direi se cantam ou gritam, os corvos. Certamente, isto não será cantar. Gritar, porém, faz muito mais sentido, perante os arrepios que sinto ao ouvi-los. Os corvos estão a gritar, portanto. Esta noite está mais escura que as outras noites; a lua está alta, derretendo-se em nuvens de fumo ingrato.

Que novidade é esta, corvos que gritam, perguntam vocês, julgando-me com os vossos olhos e as vossas sobrancelhas deveras expressivas. É que os corvos, meus senhores, nunca gritam de noite. Será presságio de morte, segundo os antigos. A questão que se impõe é, assim, quem será o sortudo a quem os corvos já traçaram tal destino.

publicado por Gualter Ego às 01:27 | link do post | comentar