Fado.

Trago, pela mão,

Todas as dores do mundo,

Viradas para dentro de mim.

Trago, ao pescoço,

O pendente que me deste,

Sentimento agudo que se arrepende,

Querer e não poder agreste

E ventoso,

Nas horas de mais negra tentação.

 

É este meu nome,

Chuva.

 

É esta a minha sina,

A febre de me curvar,

Perecer, debaixo do peso de todas as vidas

Que não vivi.

Ouvir os ossos ranger,

Ouvir o coração dizer que nunca,

Sequer,

Alguma vez, sorri.

 

Isto são só noções de desespero,

Amor, ódio e saudade.

Deixai-vos ficar calados,

Que o fado não se aplaude.

publicado por Gualter Ego às 21:51 | link do post | comentar