Chaga de Outono.

Dói-me toda e cada célula,

Sinto, latejando, cada cabelo,

A roupa achegada ao pêlo,

O frio, o olfacto, o fumo,

Rebolando na pressa de chegar a casa,

Cavalgando nas memórias dos Outonos da suja e pura infância;

Os Outonos que foram de tempos em que eu já não sou:

Este Inverno é o Outono que chegou.

 

É rara a vez que minto,

Por isso te digo,

Todo eu sou chaga,

Ferida gangrenada do cansaço de estar,

Sem saber se sou quase um espaço,

Ou quase uma coisa,

Todo eu choro,

Todo eu doo,

E nada sinto.

 

Amanhã,

Quando o sol nascer,

Torno a morrer.

publicado por Gualter Ego às 18:16 | link do post | comentar