Jejum.

Ah, coito, coito, morte de tão vida (...).

- Drummond de Andrade

 

O nevoeiro e o peso da pálpebras,

Não despem alegres túnicas de desejo,

Não deixam a fome findar no beijo,

Jejum de tudo; jejum de ti.

 

Boca imunda, olhos ingratos,

Abaixo de ti, apenas ratos,

Dúbia presença em cores de traição,

Morra quem mais me roube o coração.

 

Tenro lume, língua de fogo,

Cabelo a flutuar no semblante,

Olhar trocado, enganado, arrogante,

És tu quem me fuma a razão.

 

Agreste vento lesto e invernal,

Doce veneno, que amo e me faz mal.

Rompe-m'o frio, aquece a garganta,

Que, esta noite,

Quem já bebei a mais é quem canta.

publicado por Gualter Ego às 02:42 | link do post | comentar