Consegues ouvir-me?

Não sei para quem escrevo.

Não sei por que razão, assim tão entristecido, escrevo.

 

Sei como comecei, que foi como todos os outros começam: a escrever para raparigas.

 

E  escrevi para raparigas.

E escrevi,

                   escrevi,

                                  escrevi.

 

Quanto muito ganhei um punhado de promessas de amor e uns beijos molhados.

 

Agora escrevo para não gritar.

Escrevo para esconder a angústia e talvez alguma debilidade de alma.

Sei que das palavras que escrevo, nasce satisfação e motivação espiritual. Prazer em escrever, tenho-o pouco, mas chega para saber que quero continuar a fazer isto, mesmo que ninguém leia isto.

 

 

"Quem me ouve? Quem me vê?

A vida não me responde

e afinal ninguém me lê."

 

-Fernando Pinto do Amaral

publicado por Gualter Ego às 02:07 | link do post | comentar