Vómito repetido II

Consigo sentir o calor do teu coração na ponta dos meus dedos, tomados pela doce seda do torpor que viaja pelo meu sangue. As próprias estrelas podem testemunhar a autenticidade perversa deste nosso amor, ódio, em inveja; combate, entre a minha e tua, a nossa, dor. Apenas eu sou a cruel chama que teima em fazer arder a fogueira do nosso calor, enlouquecido, em tempos, quando éramos apaixonados desperançados, rindo do relógio e das vidas dos outros, transformadas em desperdício. Se o tempo é um todo, se o tempo passa sem passar, por que é que as nossas mãos insistem em se largar?

 

publicado por Gualter Ego às 01:30 | link do post | comentar