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Vou lavar a sujidade deste corpo, corromper a impermeabilidade desta pele e lavar-me por dentro, esfregar as minhas entranhas com água e sabão, sacudir o pó e arejar a alma.

Cheiro a mofo e papel velho, que é como quem diz que cheiro ao guarda-roupa da tua avó e a biblioteca.

Preciso de enfiar ar puro nestes pulmões, corpos nus para refrescar a vista e vinho tinto, sedoso, para me acariciar a voz.

Quero cantar canções que nunca ninguém cantou, tocar acordes encomendados pelos deuses, quero tanto e posso tão pouco.

Imploro por voltar a respirar o mesmo ar que tu, nos entretantos entre estar longe e beijar.

 

I don't care if it hurts (...)

publicado por Gualter Ego às 22:36 | link do post | comentar